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História do vinho no Brasil e sua evolução até os dias de hoje

História do vinho no Brasil e sua evolução até os dias de hoje

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A história do vinho no Brasil é de fundamental importância para a compreensão do porquê ainda o Brasil não é identificado como um grande produtor mundial e também do porquê os brasileiros ainda não serem considerados grandes consumidores de uma das mais antigas bebidas do mundo.

O vinho brasileiro ganhou e está ganhando dimensões e espaço no gosto e na preferência dos estrangeiros devido aos grandes investimentos realizados pelas vinícolas e pelos grandes produtores nas últimas décadas, tanto em maquinário como em técnicas avançadas de fabricação, mas, e principalmente, devido à excelência e qualidades alcançadas dos vinhos brasileiros que atendem aos paladares e exigências mais refinados.

A tendência dos brasileiros na preferência de bebidas doces e suaves também tem todo um processo histórico que tentaremos, ao longo de nossos artigos, expor em detalhes.

Vamos começar com um breve estudo histórico do vinho no Brasil desde as primeiras mudas de vinhas trazidas pelos primeiros colonizadores até a evolução nos dias atuais. Depois entraremos em especificidades que caracterizam os vinhos de mesa doces ou suaves com o paladar e preferência da maioria dos brasileiros. No entanto, é preciso entender primeiramente a diferença entre essas características dos vinhos.

Enovírtua
Departamento de Redação, Estudos e Pesquisas

História do vinho no Brasil

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O Brasil, maior país da América Latina é considerado o quinto maior produtor vitivinícola do Hemisfério Sul, e vem produzindo vinhos desde o começo de sua colonização. Mas foi a chegada de imigrantes italianos, processo iniciado em 1875, que trouxe importância à atividade.

Nos últimos 15 anos, a indústria brasileira do vinho fez grandes investimentos em inovações tecnológicas e no manejo dos vinhedos. O resultado? Rótulos de excelente qualidade, reconhecidos por mais de 3 mil premiações internacionais.

Evolução cronológica do vinho no Brasil

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1532
As primeiras videiras são trazidas ao Brasil por Martim Afonso de Souza, que vem de Portugal com o objetivo de disseminar a agricultura na nova colônia. As mudas de Vitis Vinifera são plantadas na Capitania de São Vicente, no sudeste do país, mas as condições desfavoráveis de clima e solo impedem que a experiência siga adiante.

1551
Membro da expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, o jovem Brás Cubas insiste no cultivo de videiras, transferindo suas plantações do litoral para o Planalto Atlântico. Em 1551, ele consegue extrair o caldo de uvas Vitis Viniferas, elaborando o primeiro vinho brasileiro. Sua iniciativa, contudo, não é duradoura, devido às condições de clima e solo.

1626
A chegada dos jesuítas à região das Missões impulsiona a vitivinicultura no sul do Brasil. A introdução de videiras no Rio Grande do Sul é creditada ao Padre Roque Gonzales de Santa Cruz, que conta com a ajuda de índios na elaboração de vinho, elemento das celebrações religiosas.

1640
É realizada a primeira degustação orientada no Brasil, relatada na 1ª Ata da Câmera de São Paulo. A intenção é padronizar os vinhos comercializados no país. A ação é voltada principalmente aos produtores do Sudeste, que persistem no cultivo de uvas em locais inadequados.

1732
Imigrantes portugueses, principalmente os açorianos, passam a povoar a zona litorânea do Rio Grande do Sul, formando colônias em Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Eles trazem mudas das ilhas dos Açores e da Madeira, mas as plantações não ganham expressão.

1789
Percebendo a multiplicação das iniciativas em torno da vinicultura no Brasil, a corte portuguesa proíbe o cultivo de uva no país como forma de proteger sua própria produção. A medida inibe a comercialização da bebida na colônia e restringe a atividade ao ambiente doméstico.

1808
No ano da transferência da coroa portuguesa para o Brasil, com a vinda da família real, não só é derrubada a proibição ao cultivo da uva como ganham corpo os hábitos em torno do vinho. A bebida é incorporada a refeições, reuniões sociais e às numerosas festividades religiosas.

1817
O pioneirismo gaúcho na vinicultura se materializa na figura de Manoel Macedo, produtor da cidade de Rio Pardo. Em um período que se estende até 1835, ele registra a elaboração de até 45 pipas em um ano, o que lhe rende a primeira carta patente para a produção da bebida no país.

1824
O início da colonização alemã amplia o número de imigrantes interessados em vinho. Na mesma época, o italiano João Batista Orsi se estabelece na Serra Gaúcha e, com a concessão de Dom Pedro I para o cultivo de uvas europeias, torna-se um dos precursores do ramo na região.

1840
Pelas mãos do inglês Thomas Messiter, são introduzidas no Rio Grande do Sul uvas Vitis lambrusca e Vitis bourquina, de origem americana. Mais resistentes a doenças, foram plantadas na Ilha dos Marinheiros, na Lagoa dos Patos, mas logo se espalharam pelo Estado.

1860
A uva Isabel, uma das variedades americanas introduzidas no Rio Grande do Sul, ganha rapidamente a simpatia dos agricultores. Há registros de que, por volta de 1860, ela já formava vinhedos nas cidades de Pelotas, Viamão, Gravataí, Montenegro e municípios do Vale dos Sinos.

1875
O grande salto na produção nacional de vinhos ocorre com a chegada dos imigrantes italianos. Trazendo de sua terra natal o conhecimento técnico de elaboração e a cultura do consumo, eles elevam a qualidade da bebida e conferem importância econômica à atividade.

1881
Ano do mais antigo registro de elaboração do vinho no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, com o apontamento de 500 mil litros produzidos na cidade de Garibaldi. O número consta em relatório feito em 1883 pelo cônsul da Itália, Enrico Perrod, depois de visita à região.

1928
Frente a concorrência desordenada, a oscilação da qualidade e o crescimento da importância da atividade, é criado o Sindicato do Vinho, uma tentativa de organizar o setor. A iniciativa é articulada por Oswaldo Aranha, então secretário estadual do governador Getúlio Vargas.

1929
O associativismo é adotado pelos agricultores. Em um período de 10 anos, 26 cooperativas são fundadas, entre elas algumas que seguem atuando até hoje. O modelo dá competitividade aos pequenos produtores e os direciona a uma situação de equilíbrio, alcançado na década seguinte.

1951
A transferência da vinícola Georges Aubert da França para o Brasil marca o início de um ciclo. O interesse de empresas estrangeiras no país, que se consolidaria na década de 70, aportou novas técnicas nos vinhedos e nas cantinas, além de ampliar as áreas de cultivo da uva.

1990
A melhoria das vinícolas, que ao longo da década de 80 foi marcada pela reconversão de vinhedos, ganha impulso a partir da abertura econômica do Brasil. O acesso a diferentes estilos de vinhos e a concorrência com os importados levam os produtores a aumentar a qualidade.

2002
Com a vitivinicultura consolidada em diferentes regiões, do Sul ao Nordeste do país, cada zona produtiva investe no desenvolvimento de uma identidade própria. O pioneiro neste rumo é o Vale dos Vinhedos, que conquista a Indicação de Procedência em 2002.

Fonte de pesquisa: http://www.vinhosdobrasil.com.br/pt/vinho-brasileiro/historia

À guisa de conclusão

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Com esses aspectos históricos, conseguimos entender a posição ocupada pelo Brasil no ranque mundial da produção e consumo de vinho. Vimos que a história do vinho no Brasil é muito recente e, muito embora tenha existido várias tentativas de introdução do vinho em território nacional desde a colonização, foi somente a partir da transferência da Coroa Portuguesa em terrae brasilis, das colonizações italianas e alemãs que a produção de vinhos começou a ser delineada e ganhou volume.

Apesar de muito jovem, a cultura vitivinícola em território nacional já vislumbra um cenário muito promissor no cenário mundial no que diz respeito à qualidade de seus produtos. Resta-nos ainda difundir este mesmo cenário e visão dentro de nosso país com a implantação de uma cultura de consumo do vinho; não como bebida alcoólica, mas como um complemento alimentar que traz enormes benefícios para a saúde.

Enorvitua
Departamento de Redação, Estudos e Pesquisas

 

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